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31.8.13

Alice,

eu sei que eu já fui mais agradável Alice, mas é que eu não gosto disso de quando você não fala comigo Alice, e fala com ela, que eu vi os recados dela.
eu sei que você me disse que eu não podia prender as pessoas assim, que não é certo. mas Alice o que não é certo é  você ficar lendo os recados dela e não os meus. eu é que gosto de você, mesmo com a sua cara manchada de tinta e as mãos cheias de terra e minhocas. e não adianta fugir por muito tempo, sei que você disse que ia pra aí buscar o restos das suas coisas mas eu sei que você está sentada na janela tomando chá de pijama enquanto lê essa carta Alice.

15.8.13

Alice,


sabe o que aconteceu Alice, depois daquela festa? você sumiu. eu te procurava pelos corredores mas não te encontrava e depois eu descobri, Alice, o que tinha acontecido, era que você tinha fugido. de mim. de nós. 
e a culpa era minha Alice, é por isso que eu tô te escrevendo isso. porque eu sei que disse pra você que a culpa era sua que quem desapareceu foi você, mas eu não sabia Alice que você tinha fugido. e agora eu sei. 
e desculpe por isso.

7.7.13

Alice



toda vez que eu olho pra isso lembro de você. você sempre fazia uma cara parecida com essa e eu ria.
porque você era desastrada. você é desastrada. 
eu sempre ria de você  porque mesmo tão pequena você consegue ficar gigante dentro dos lugares, derrubando coisas com seus braços insensíveis, batendo seus quadris errôneos nas quinas das mesas e prendendo o cotovelo torto nas maçanetas. você parecia a alice na casa do coelho. imensa. 
foi assim que você ficou imensa dentro de mim. com os quadris manchados de roxo, com coisas aos pedaços. foi assim que eu tive que ir abrindo o espaço, guardando o que podia machucar, deixando as portas abertas para que você passasse sem se ferir. eu queria cuidar de você.
por isso eu lembro de você com isso. porque você era isso. você era essa sensação depois de bater com a cabeça na porta do armário da cozinha, de bater o dedinho do pé no pé da cadeira, de furar o dedo com a agulha de costura enquanto prega um botão. 
você era essa sensação de idiotice por um minuto, essa revolta de como uma coisa tão boba pode doer tanto.