Engravidei no outono, em dois dias vai ser primavera e meu filho vem no verão. Nada mais vai ser o mesmo. "Mas não era esse o ponto?" meu marido responde quando eu digo.
Esse final de inverno trouxe o sabiá da laranjeira e a insegurança. A vida não para, cresce e chuta no meu ventre.
Esses dias sonhei que eu estava no banco de trás de um carro com uma pessoa que dirigia sem que eu pudesse fazer nada. Liguei pro meu pai no sonho pedindo pra ele me encontrar e fazer o carro parar.
O sonho de ser filha. O peso de ser mãe. As estações que passam.