eu acho que eu nunca entendi saudade. saudade não é precisar, não conseguir ficar sem. saudade é um aperto no peito tão estranho com a sensação que o que te dá saudade não vai voltar, e você nem quer, mas é estranho lembrar.
eu tenho saudade do pôr do sol naquela avenida grande e bonita, e do cheiro que o cidade tinha enquanto eu andava do teu lado. da cor do céu quando eu cheguei na cidade e do vento gelado do início de maio. eu tenho saudade dos faróis dos carros e de segurar a tua mão no metrô. mas eu não quero voltar. saudade é um negócio estranho...
eu fiquei imaginando diálogos, coisas que eu queria te falar, que hoje eu sei que não vão acontecer. eu pensei em te ligar quando chegasse lá. eu pensei em te mandar um email. um sinal de fumaça. eu desisti porque eu sei que a resposta vai ser não, nos tornamos estranhas, afinal.
eu vou voltar pra lá sozinha e vai ser estranho sentir tua falta. e eu vou pegar o metrô, e ver a cor do céu, e sentir o vento gelado. e eu vou andar pela avenida no final do dia pensando que a gente tá ao mesmo tempo na mesma cidade por um período breve, como todas as outras vezes, e vou te desejar amor, equilíbrio, clareza, força, alguém pra segurar tua mão no metrô. e amor, amor sempre.