“That was the thing. You never got used to it, the idea of someone being gone. Just when you think it's reconciled, accepted, someone points it out to you, and it just hits you all over again, that shocking.”
morte não é só a dor. só o luto, a raiva, o choque. é muito mais.
quando alguém próximo e importante na família morre, isso mexe com a estrutura familiar e com a imagem das pessoas que a gente cria e nutre dentro da gente. alguém morre e de repente não é só a minha dor, a gente se põe no lugar e na dor do outro e isso muda a visão inteira dele. e de tudo. todas aquelas coisas que não foram ditas, e ainda mais as que foram proferidas, aquilo muda. tudo muda. a noção de tempo, a noção de família, a noção do amor. a visão de vida inteira muda. quem a gente quer ter do lado na vida, quem vale a pena. o que vale a pena. limites. a noção de que a montanha russa louca da vida não pára. é o ciclo eterno. não dá pra quebrar. é essa a coisa sobre a morte de alguém tão próximo: a noção de que a vida é cíclica, que você faz parte disso, que não tem escapatória e que o fim é o mesmo. a morte nos joga na cara as repetições. nos joga na cara que "o fruto não cai longe do pé". a morte mostra o mais simples e cru propósito da vida. não são os sonhos, os desejos, os dons. é tão simples e tão cômodo. não importa quem você é e quem você quer ser, o que você quer alcançar. no fim, no derradeiro fim, o importante é quem esteve lá com você, é quem vai estar lá até o fim. o importante é não deixar o ciclo morrer.