27.7.11

Enquanto ela não chegar

os dias são quentes e passam em slow motion. e quando o dia vira noite finalmente, então esfria, o vento sopra. todos na cidade podem dormir. sozinha enfim, minhas lágrimas saudosas voam janela afora para compor o céu junto com as corujas e morcegos e todos os outros entes noturnos.
de noite eu existo; conto migalhas sozinha na cozinha, canto baixinho num banho frio, não durmo, não entro para debaixo do edredom.
eu fumo, ouço música, leio, eu tomo um café bem fraco no escuro. contando estrelas, entendendo os ciclos lunares, as marés, aprendendo línguas extintas; inventando teorias e enchendo a cabeça com ciências desnecessárias, marcando no calendário cada noite que eu passo sozinha, velando teu sono a distância.
e mesmo que eu tenha fechado as janelas e as cortinas, mesmo contra minha vontade, o sol nasce.
ele tem que nascer.

ela tem que estar longe.