25.2.11

bad habits die hard.

Sempre ela foi um monte de problemas. Mentiras, maus hábito, desaparecimentos, engodos, confusão.
Ardilosa, lasciva, impudica.
Puxara ao pai – cínico, mentiroso, infiel. Tantas outras qualidades tinha sua mãe, nenhuma estava nos seus genes.
Uma inclinação para o proibido: era só a oportunidade aparecer que ela mudava sua estrutura natural: ganhava asas negras, escamas, dentes afiados, garras e desejo por sangue & carne.
Saía à procura de vítimas – quando elas não vinham até ela – e as conquistava, deixando pelo caminho suas carcaças inúteis. As pobres caveiras, dilaceradas, já sem coração, mal conseguiam levantar e usar suas pernas – ela gostava de quebrá-las com uma rasteira.
Assim, como um monstro sem forma ela saía pela noite, insaciável, irrecuperável.
Ao raiar do dia a cabeça pesava, o estômago embrulhava, vinha a culpa, o remorso, a pena – de si mesma. E controlando seus instintos mais bestiais recolhia suas asas, garras, caninos e os trocava por pele macia e olhos ternos.
Fazia isso de tempos em tempos, era como uma maldição.
E seguia a vida assim, duplamente, sendo tudo, vivendo tudo, arruinado tudo.

Na frente do espelho, perguntava-se se um dia mudaria seu destino. Aliás, perguntava-se se queria um dia mudar seu destino.
E a noite chegava. E ela abria as asas.