11.5.10

Uma carta, leãozinho.

Se vamos contar, como queres? Por dia? Por hora? Por minuto?
Eu acho que o melhor jeito de contar são as memórias.
E a gente tem tantas, né?

Eu resolvi: vou te mandar cartas. Essa vai ser a primeira, então me perdoe pelas falhas...
Hoje foi estranho acordar. Ontem foi mais estranho ainda dormir. E no meio da noite eu acordei. Com calor, sufocada.
Tu já se sentiu sufocando?

Eu dormi mais que dez horas, mas meu corpo ao acordar não reagiu como eu gostaria; me senti mole, com preguiça, cansada, desanimada.
Vir para cá também foi difícil. Vim sozinha. Sem ninguém do meu lado...
É muito difícil ser sozinho, não é?

O tempo tá tão estranho, né? Já reparou que ele sempre fica assim quando a gente...

Eu não me sinto normal hoje. É como se não fosse eu
Tem uma coisa fora do lugar.
 
Hoje eu acordei pensando: oh, get me away from here, I’m dying. Mas podia ter acordado pensando outras milhares de coisas, como por exemplo “nem foi tempo perdido, somos tão jovens”.
Será que a gente tá perdendo tempo?

Eu li uma coisa tão bonita hoje... Sabe, eu nem curto muito Caio F., mas hoje, caiu tão bem que eu precisava te contar (na verdade, tinha que ser ao pé do ouvido):
"sentado na janela do ônibus, depois de trabalhar o dia inteiro, encosto a cabeça na vidraça, deixo a paisagem correr, e penso demais em você."

Sabe o que eu disse de ser sozinho? Não pense que eu sou sozinha, eu só quero estar sozinha. Por um tempo.

Semana que vem vou te visitar. Daí eu vou te abraçar.

Tu vai estar sozinho, eu sei. Vai estar chovendo, também sei.
A gente vai encher o quarto. Vai colorir o quarto. Tu vai tocar pra mim, eu vou cantar pra ti, a gente vai rir e vai cair no sono por horas, um abraçado no outro.

A gente também pode chorar, se quiser.
Eu vou querer.


Um beijo.