13.5.10

slow dancing in a burning room

Já estávamos bêbadas, naquele ponto onde a cabeça fica leve, vazia.
Ela disse "melhor irmos embora". O bar estava ficando vazio, e talvez nossas risadas estivessem incomodando os garçons. Eu concordei e nos levantamos. "Vamos ao banheiro", ela disse, com a língua enrolada.
Era um banheiro minúsculo, com as paredes pintadas de roxo e desenhos pretos.
Não era uma boa idéia irmos ao banheiro naquele grau alcoólico, ela sabia que já tínhamos soado muitos alarmes falsos.
Esperei que ela saísse da cabine mais minúscula ainda escorada na parede, tentando ficar sóbria - ou pelo menos tentando manter o controle.
Ela saiu tonta, leve, sorrindo. Os olhos verdes semi-cerrados. Lavou as mãos e olhou-se no espelho, ajeitando o cabelo curto e preto.
Virou-se na minha direção, e rapidamente prendeu-me: apoiando-se com os braços na parede, prensava a cintura na minha. "Opa", disse lascivamente, e a suave fragrância etílica encheu o ar. Olhava-me com olhos provocativos e brincalhões. Mordiscava os lábios e os umedecia. Não se mexia, os olhos fixos nos meus - nos meus apavorados, surpreendidos, ávidos pelo sabor dela, pela pele branca dela.
Os trinta segundos que permaneceu prensando-me pareceram 1440 horas.
E ainda assim ficamos imóveis.
Finalmente ela aproximou-se do meu rosto, roçou os lábios suavemente nas minhas bochechas e beijou-me na curva do pescoço.
Sem mesmo me olhar, saiu do banheiro. Pagamos a conta e saímos do bar.
Nos despedimos.
Outro alarme falso.