Eu a adorava, por um milhão de motivos. As coisas que ela dizia, as coisas que ela fazia e me fazia cometer. Quando dormíamos juntas, ela, cansada, pegava mexas do meu cabelo, e sonolenta me contava segredos e confissões: umas eram verdades, outras ela inventava e eu ria, ria muito com ela. Ela sempre adormecia no meio do meu riso.
Mas a melhor parte era de manhã. Ela acordava e ficava olhando para o teto. Quando eu me aproximava dela para perguntar no que ela estava pensando ela me dizia:
“Nos pequenos prazeres matinais: o silêncio, o cheiro do orvalho, espreguiçar-se, a primeira tragada que te faz ficar tonta, escovar os dentes, passar café.”
E então eu deitava ao seu lado e nós ficávamos ali, sentindo todos os pequenos prazeres na sua ordem. Tudo em silêncio. Às vezes ela me olhava e sorria. Me passava o cigarro e sorria. E eu sorria o tempo todo.