3.1.17

justiça


eu não senti nada, mas as marcas de que ele esteve em mim estão espalhadas no meu corpo. as linhas fundas e avermelhadas nas minhas coxas, um palmo acima dos joelhos, o pé que não consegue pousar no chão de dor, as pernas tremendo, meus ombros e nuca com manchas vermelhas com pontinhos roxos, como galáxias, e meus pulsos doloridos e fracos.
ele tirou algo de mim. ele queria algo meu, quando ele veio, algo que eu não podia dar, ele teria que tomar de mim, à força. ele me tomou algo. e algo de mim é dele agora. talvez meu orgulho, considerando os jeitos que ele me colocou, ou minha dignidade, se eu pensar nas vezes em que ele ignorou meus gemidos de dor. mas ele precisava de algo meu, ganhar alguma coisa, afinal não faz sentido dar sem receber por tanto tempo assim, eu entendo.
acontece que eu não tenho nada pra dar, então ele precisou tomar algo de mim, violentamente. e eu deixei. eu acho que é justo.