23.11.16

Two Kinds Of Happiness

One's devotion, one's just the ring.


às vezes a gente tenta entender as coisas, como elas acontecem, tenta achar um motivo, dar um significado pras dores e pras perdas, porque o ser humano precisa disso. a gente não sabe viver sem fechar o círculo da significância de alguma coisa, a gente não sabe viver só com metades. por isso a gente tenta inventar histórias que dão sentido pros acontecimentos da vida, pra gente se sentir melhor, ou menos culpado, ou qualquer coisa que não seja agradável.
eu tô olhando o por do sol por uma fresta entre dois prédios da janela do meu quarto e sentindo a tua falta. como eu tenho sentido pelos últimos dois anos. tu não é aquele tipo de pessoa que a gente sente só falta de beijar, de pegar, de abraçar - muito embora eu sinta saudade disso tudo. eu sinto saudade da tua risada, do jeito que tu falava, das coisas que tu contava, eu sinto falta de olhar pro lado e te ver, de entrar na sala e tu estar ali também.
mas nos últimos dois anos eu também não estive sozinha, e eu queria poder te explicar como é possível viver desse jeito, caótico, se eu também pudesse entender. às vezes isso é difícil, porque é estranho como eu consigo sentir as duas coisas tão verdadeiramente, e me entregar pra ambas com tanta intensidade, eu tenho a impressão de que eu sou duas pessoas diferentes num mesmo corpo.
a última vez que a gente se falou tu tava brava comigo. por causa do jeito que as coisas foram acontecendo. e no fim ficou tudo tão bagunçado que eu nunca consegui explicar isso. eu sinto muito que eu não te esqueci. e eu sinto muito que eu não estava sozinha quando a gente se falou de novo. o fim é tão difícil pra mim até hoje que sinceramente não parece querer dizer nada, mas solucionar não me pareceu uma opção nunca, talvez muito tempo tenha se passado, ou não tenha passado o suficiente. ou só é o que é. e no fim eu precisava te dizer que apesar de tudo o que aconteceu eu não coloquei ninguém no teu lugar. é só o jeito que a vida é. ela segue.