24.11.15

everywhere we've been we have been leaving traces

We're in the air
We're in the water
From the rooftops
Down to the pier
I'll never walk these streets alone

não consigo evitar de me sentir bastante ridícula fazendo isso, da mesma forma que não consigo evitar não fazer.
fiquei bastante agitada com tudo o que aconteceu no meio desse ano que passou, não só pelos motivos óbvios mas também pelas questões muito mais além do visível que toda essa experiência juntas me trouxe. então agora, com os ânimos mais calmos, queria dividir contigo algumas coisas que eu descobri e que me fizeram mudar.
primeiro queria que a gente falasse sobre o inimaginável que foi a gente ter ficado junto em primeiro lugar. quão louco foi isso? não sei se sou o tipo de pessoa que acredita em vidas passadas, mas em alguns momentos realmente me questionei se esse não era o caso. uma coisa carmática talvez? até hoje não consigo acreditar que foi puro acaso. nós aprendemos muito uma com a outra, coisas que não sei, o destino, o acaso, o plano divino, um ser maior, traçou pra nós, eu e tu. talvez por um erro de cálculo nós tenhamos nascido em lugares tão longe, mas será?
durante muito tempo da nossa vida eu me questionei qual a razão de existir tanta distância entre a gente. não fazia sentido tanta dificuldade pra quem tinha uma coisa tão clara, concreta, simples. e eu achei injusto. por muito tempo eu achei injusto, e considerei prova de amor atravessar distâncias e se colocar em situações dolorosas como deixar uma vida toda para trás. mas e se a gente não tivesse que estar junto? talvez, em algum momento da história do mundo, ou da separação das moléculas do universo a gente pertencesse uma a outra. talvez a gente fosse uma só. e esse sentimento de pertencimento perdura pra sempre e eventualmente meus átomos vão procurar (e encontrar) teus átomos na história da vida na terra, pra sempre. é como um imã: meu corpo indica o teu norte.
e é esse sentimento de pertencimento que me faz pensar por que diabos não deu certo? e a resposta é a mesma: a gente se basta. te encontrar acaba com todo meu vazio existencial. toda busca por algo que me complete, que faça minha existência na terra ter sentido, que acabe com a minha necessidade de mostrar, de ser, de fazer algo termina. eu perco a ambição, eu tenho tudo que eu preciso. mas isso não é bom, porque tudo aquilo que eu posso fazer no mundo, todas as possibilidades de completar algo significante na tentativa desesperada de pertencer seja ao que for, não acontece, porque tudo o que eu tentaria tem o objetivo de completar esse vazio, esse sentimento de falta de pertencimento que não estar contigo, meu átomo-metade, causa.
talvez tu não sinta assim, mas eu sei que por muito tempo nós éramos suficiente, e tu deixou de ser e fazer muitas coisas que te faziam quem tu é. e isso é tão errado. injusto com a gente também, mas a vida nunca é justa.
por muitas vezes eu acho que pensar sobre isso, depois de tanto tempo, é errado, mas pensar sobre isso é uma forma de não esquecer que realmente algo sem explicação racional aconteceu na minha vida. a única coisa sobre a qual eu não tenho como justificar com algo racional e objetivo. e eu passo muitas noites pensando sobre coisas como um todo e eu ainda sinto falta de te contar sobre elas, acho que tu foi uma das poucas companheiras, no sentido mais íntegro da palavra, que tive na minha vida, e depois de te conhecer a impressão que eu tenho é que eu nunca mais vou estar sozinha no mundo.
de qualquer forma, não importa mais. são só mais coisas que queria te contar que joguei pro mundo dar conta.