quando percebi que o dia tinha terminado e eu tinha tomado duas vezes o remédio foi quando percebi que: não tenho mais controle.
aí entrei no banho e pensei que isso não é vida, nunca foi, não vai ser. não é como estar vivendo, é mais como ter um vislumbre de vida. porque eu nunca consigo sentir as coisas todas como elas são, sempre tem essa outra coisa pendurada no ombro, maior que todas as outras coisas, sentimentos, pessoas. vivendo pela metade. mais imaginando como as coisas podem ser do que sentindo elas sendo.
eu pulei muitas coisas, fugi das coisas que me assustavam, trapaceei pra avançar as casinhas do jogo.
só que cada vez que eu subo dois degraus de uma vez só eu me machuco e vejo todas as coisas que eu abandonei se transformando em incertezas e despreparo. porque apesar de todas as vezes que eu bato no peito e digo ‘me deixa, eu consigo’ pra alguém que me fala pra não tentar correr antes de caminhar, eu acabo caindo. e é tudo sempre aos trancos, dolorido. sempre fica o sentimento de falha e fracasso. eu nunca tenho a tranquilidade de sentir que eu fiz o que devia ter feito.
porque na verdade eu não fiz. eu nunca fiz.