o quarto dela era escuro para que fosse mais difícil acha-la a noite e a janela não fechava para facilitar suas fugas, caso fosse descoberta.
as mãos dela eram sempre geladas. os olhos vigilantes.
haviam os hematomas, os arranhões e as dores constantes, mas aquilo não era próprio, eram lesões adquiridas.
com o tempo foi contraindo fobias estranhas: tinha medo das escadas, de tesouras, de panelas, de cintos, de facas e tudo que queimava. aprendeu a andar em silêncio, pelas sombras.
só um pouco mais de tempo e ela enfim ia tornar-se o que almejava: invisível.