15.5.12

made to fade

as palmas das mãos dela eram marcadas, quatro riscos perfeitos. toda vez que ela cerrava os punhos com força as unhas marcavam a carne. a língua vivia constantemente machucada, tanta força fazia pra se manter de boca fechada.
o quarto dela era escuro para que fosse mais difícil acha-la a noite e a janela não fechava para facilitar suas fugas, caso fosse descoberta.
as mãos dela eram sempre geladas. os olhos vigilantes. 
haviam os hematomas, os arranhões e as dores constantes, mas aquilo não era próprio, eram lesões adquiridas. 
com o tempo foi contraindo fobias estranhas: tinha medo das escadas, de tesouras, de panelas, de cintos, de facas e tudo que queimava. aprendeu a andar em silêncio, pelas sombras.
só um pouco mais de tempo e ela enfim ia tornar-se o que almejava: invisível.