18.4.12

You may crash and burn sometimes


Eu cresci  ouvindo minha mãe dizer: a gente não se apaixona quando não quer, quando não pode, que a paixão é uma escolha.
E eu vivi e agi a vida toda de certa forma sob esse mandamento e por muito tempo  achei que isso era mesmo possível.

Aliás, eu acho que isso é possível, que a gente pode escolher a hora ou por quem se apaixonar, mas daí isso é mesmo paixão? Quer dizer, quando a gente avalia os prós os contras e todo o resto, isso é paixão?
Usar essa regra como uma forma de não se machucar não é realmente válida. Existe um milhão de coisas que viram impedimento, tem muito de timing errado, existe a possibilidade de o outro estar magoado, existe a distância e mais outros dois mil motivos que fazem muitas vezes que a formula eu + você = amor não dê certo de primeira (ou nunca) e daí a gente se machuca mesmo, mas e daí? Então ponderar é a solução pra não se machucar?  Nessas de medir a situação toda você invariavelmente vai preterir alguém/um sentimento, e na maioria das vezes é a/da gente mesmo. E invariavelmente vai sair machucado.
Talvez existam pessoas  - as my mother -  que conseguem essa proeza de escolher a dedo por quem e quando vai viver uma Grande Paixão, mas pro resto de nós mortais a paixão é ordinária e acontece sem querer.  Se fosse decisão, seria muito fácil deixar de gostar de alguém, e os términos não seriam tão doloridos. Nem o mundo tão colorido, afinal the love makes the world go round, no meu humilde ponto de vista.

Que maravilhoso seria se cada um de nós tivesse uma pessoa certa pra viver na vida, alguém que nunca fosse nos decepcionar. Mas que pessoas chatas, sem graças e imbecis seríamos. E que maçante o mundo seria: cheio de filmes insossos, de músicas frígidas, de livros entediantes...

Então hoje quando você for escolher a dedo por quem vai se apaixonar pra não acrescentar nada, absolutamente nada na sua vida, porque assim é mais cômodo, lembre-se de que no pain no gain.