Quero te fazer compreender que não é assim, que tenho um medo cada vez maior do que vou sentindo em todos esses meses, e não se soluciona.
Ela estava parada de um lado da cama, apenas de lingerie. O sol entrava pela janela, bem acima da cama, e a luz branca que refletia dos lençóis fazia ele acreditar que aquilo era apenas um sonho.
Ela continuava em silêncio depois de ter destruído o mundo dele em dois segundos, em duas palavras: vou embora.
A cama entre eles simbolizava o enorme buraco que ela assentava entre os dois agora. Era muito mais que quase dois metros de distância, era um muro separando o antes e o depois e ele não estava no depois dela. Ela ia embora.
Ele ficou tão assombrado que nenhuma palavra saia da sua boca aberta. Não eram os planos que fizeram, nem as coisas que ele comprou para eles, nem tudo que ele lhe deu, ou o fato de que acreditava que fosse para sempre porque ela veio ficar um final de semana e ficou doze meses. Não. Foi o modo de como ela falou. Ela disse "vou embora" como quem diz “vou ao banheiro” ou “vou me vestir”. Sem sentir nada, sem nada no olhar, nada na voz. Limpo e rápido.
Então, devagar ele foi recobrando os sentidos, olhou para os lados voltando à realidade. E então perguntou: por quê?