23.7.10

alterego.

– Fraca! – ela gritou para mim – Covarde!
E eu me encolhi; sabia que era verdade.
Sempre fui fraca, covarde, meio-termo-lugar-comum.
Não é ser indefesa, frágil – é fraqueza.
– Fra.ca. – ela repetiu, apertando os dentes com cara de nojo.
Eu não consegui chorar, mas minha alma toda saiu do meu corpo e se fragmentou no ar.
– Olha no que você me transformou – ela continuou – sua covarde desprezível! Eu espero que você morra! – ela berrou na minha cara.
Olhei novamente para aquela imagem no espelho e disse olhando nos olhos do reflexo:
– eu também.