Lá estava ela, encostada na parede como que casualmente – eu sei que ela me esperava. Olhou para mim e sorriu com os dentes brancos e corou as maçãs do rosto – as maçãs do rosto dela eram bem marcadas, salientes, eu adorava as maçãs do rosto dela. Não mais que os seus olhos. Olhos grandes e atentos, olhos que, como diria Baudelaire, dão vontade de morrer lentamente sob seu olhar.
Seus olhos penetrantes, se verdes ou azuis, eu não lembro... Só lembro de vê-la olhar dentro de mim, é como se eu me despisse aos seus olhos – e como quero me despir aos seus olhos!
Ela começou a falar comigo, tantas e tantas coisas, e ela sorria e ria e bamboleava seus cabelos, deixou minha cabeça numa mistura de tontura e fascínio.
Tudo tão rápido que quando vi, nos despedimos. Eu fui embora querendo tocá-la, mas ela é tão rara, tão rara, que não cabe na minhas mãos, cabe só na minha obsessão.