28.1.10

Me diga para que minhas mãos foram feitas.

Aqueles pensamentos já a incomodavam antes, mas agora, agora eram os sonhos.
Todos os dias sonhava com as mesmas coisas: suas vontades. Vícios aos quais ela já abdicara estavam à espreita novamente. Eram como sombras.
Começou a convencer-se de que queria tudo aquilo de volta. Afinal, era a sua vida, devia viver como quisesse.
Pensou na consciência limpa. Pensou no tormento em que se transformara dormir.
De que vale, pensou, ter a consciência limpa se a deixo imunda em sonhos?
Sentou-se à beira da cama, fumou um cigarro e decidiu: voltaria aos mesmos enganos, aos mesmos vícios, aos mesmos abusos...